Lucas Fúrio Melara
Palhaçaria: o artesanato construindo pontes entre design, cultura e impacto social
DOI 10.52050/9788579176753.7
Este texto tem como objetivo relatar, sob a perspectiva do Design, o processo de desenvolvimento da exposição “Palhaçaria”, um projeto expográfico construído para salvaguardar o patrimônio de um instituto dedicado ao brincar, no campo dos objetos de artesanato popular brasileiro que diretamente dialogam com as brincadeiras de infância. O desenvolvimento do projeto considera os campos multidisciplinares da Curadoria, Design Editorial, Design Gráfico, Design de Produto, Produção Cultural, Captação e Gestão de Recursos. A metodologia participativa do Design Social orientou o roteiro de projeto, assim como a Arquitetura de Exposições proposta pela obra de Lina Bo Bardi e Gisela Magalhães orientou a expografia, considerando também a Tecnologia Social da Memória para o processo de catalogação e a exibição dos itens da exposição. O propósito da ação cultural com o acervo é a de prover visibilidade e fomentar futuros projetos nas áreas de Museus e Patrimônio, considerando a atuação de impacto social sustentável promovida pelo Instituto. No campo da Gestão em Design, avalia-se a atuação do designer enquanto gestor de projetos de exposições, do começo ao fim, no sentido de promover o desenvolvimento social e sustentável em um projeto coeso, em atuação junto à cultura vernacular original brasileira representada pelos mestres artesãos reconhecidos pela Rede ARTESOL.
Visibilidade feminina em cena: as meninas da Bauhaus
As comemorações do centenário da Bauhaus incluíram questões que trataram das invisibilidades femininas na história do Design. As mulheres ocuparam espaços significantes na construção dessa história, como estudantes, profissionais, professoras. No entanto, os registros apresentam listas nas quais se evidenciam somente presenças masculinas. Desde o século XIX, as narrativas acerca do pioneirismo nas Artes Gráficas e no Desenho Industrial é predominantemente masculina e branca. Será que as mulheres foram ‘esquecidas’? Verifica-se que lacunas historiográficas acerca da presença feminina estão sendo preenchidas recentemente. Mulheres e minorias no Design, embora classificadas como subcategorias, vem ganhando visibilidades e passam a ocupar os devidos espaços. No entanto, questões de gênero em Design ainda vêm sendo tratadas à margem de uma suposta ‘história oficial’, ainda não incorporadas à história escrita. Considera-se urgente colocar em cena discussões a fim de dimensionar impactos exercidos por culturas fundadas na questão de gênero que tratem da cultura do Design. Trata-se de propor reflexões acerca de um necessário entendimento do silêncio da participação feminina, reiterado por manuais de regras, sistemas políticos e religiosos.
Velhas lembranças, memórias de vida
A presente pesquisa teve por objetivo investigar questões acerca das memórias, lembranças e relatos orais de idosos abrigados na Vila Vicentina em Bauru, cidade localizada no interior do estado de São Paulo. O resultado foi o de um livro reunindo reflexões teóricas e produção imagética (fotográfica) e iconográfica. Para tal, fez-se necessário reunir saberes interdisciplinares fundamentais para o processo metodológico. Optou-se pela Cartografia, como forma descritiva, tal como proposto pela psicóloga Suely Rolnik, no sentido de considerar questões no campo do sensível. Também, a Teoria do Ator Rede proposta pelo sociólogo Bruno Latour, a fim de colocar em cena visibilidades e invisibilidades.